Encontrado em um blog que se dedica à luta contra os grupos dissidentes da visão contagiosa da AIDS e também contra a Homeopatia:
“Eu luto contra as trevas que tentam traiçoeiramente controlar o mundo. Minha espada possui uma lâmina forjada pela ciência à partir da lógica e com ela irei cortar toda a carne feita de mentiras e farei jorrar todo o sangue composto de superstição.”
Esta é a melhor definição de obscurantismo místico que encontrei nos útimos tempos. Quando li a anacrônica (mas feroz) crítica aos postulados do Prof Peter Duesberg imaginei que se tratasse de um religioso e místico, que escolhe de maneira agressiva um “lado” da questão para “lutar e defender” (suas palavras). Ciência e fervor religioso não se misturam de forma adequada; a primeira precisa da crítica sistemática, aberta e livre, enquanto a segunda reclama uma adesão irrefletida a dogmas determinados. Crenças como as que são expressas a favor do “vírus mortal” (que nunca foi achado) são típicas de religiosos, ou de indivíduos movidos por uma fé cega em doutrinas messiânico-salvacionistas (que me parece ser o caso). A adoção da estrada mais fácil (o cientificismo) ficou mais óbvia ainda quando vi a idade de quem escreveu tais comentários. “Ok, pensei eu, ele é um menino de 21 anos; não sejamos tão duros“. Infelizmente o autor do texto não conseguirá perceber que é tão dogmático e religioso (eu diria místico) quanto os alvos de suas críticas antes que tenham se passado pelo menos 20 anos, porque seu fervor é de um cavaleiro cruzado, um templário cego pela visão mítica de um porvir radiante, onde a Deusa Techné reinará gloriosa no Olimpo da Verdade.
“A ciência ocupa o local deixado vago pela Religião no imaginário social“, como já diziam vários autores, entre eles Michel Foucauld, desta e de outras formas. O conteúdo deste artigo, de onde retirei o texto do cabeçalho, se enquadra perfeitamente no modelo místico-científico, de alguém que encontra na ciência e na tecnologia a suprema cumpridora dos nossos sonhos escatológicos, da mesma forma que uma ‘pentecostal’ ou um aborígene africano (e com isso não estou os desmerecendo, apenas os colocando de forma pareada).
O texto criticando Peter Duesberg é tristemente anacrônico, na medida em que a cada dia que passa mais se comprova a veracidade das teses que demonstram ser o HIV incapaz de qualquer citotoxicidade. Por outro lado, vê-se no artigo repetirem-se indefinidamente as idéias - recheadas de chavões - de que “isso já foi provado“, ou “não restam dúvidas“, etc. Outra estratégia (inconsciente, eu creio) é a de acreditar que a “verdade” se estabelece “democraticamente”, quando se lê que “a grande maioria dos cientistas acredita que…“. Faz-me lembrar da tese de que devíamos comer m*, já que “bilhões de moscas não podem estar erradas“. É sempre prudente lembrar que Hitler foi eleito democraticamente, assim como Chaves, mas isso não lhes garante que estejam certos nas suas propostas (apesar de legítimadas pelo voto).
Ciência precisa mais do que palavras e lógica; requer demonstração. Não é suficiente colocar um virus e um sujeito doente juntos para garantir que um causou a doença no outro - é preciso provar que tal vírus é capaz de produzir o dano observado. O articulista certamente leu os relatos iniciais da AIDS (o trabalho de Gallo onde ele afirma ter descoberto a causa da AIDS), onde apenas 36% dos pacientes com AIDS apresentavam o anticorpo contra o virus. Isto é um escândalo que mereceria um julgamento adequado (alguns autores dizem que sequer 100% seria suficiente, pois 100% de positividade ao virus do sarampo não garantiria que tais pacientes com AIDS tinham apenas… sarampo!). Também não é suficiente a lógica para que uma verdade científica se estabeleça: é plenamente lógico afirmar que o sol gira ao redor do nosso planeta; basta observá-lo no seu passeio diário pela abóboda celeste, nascendo no oriente e se pondo no ocidente. Entretanto, hoje em dia nós já sabemos não ser verdadeira a ilusão criada pelo caminho do sol, exatamente porque o “dissidente” Galileu resolveu questionar os postulados da época. Certamente que a pessoa que escreveu o comentário no topo desta mensagem estaria, naquele tempo, ao lado dos cardeais da Eclésia Romana, pois que “todos esses homens santos não podem estar errados“.
Ok, não vou citar mais uma vez que Robert Gallo foi condenado por roubar as amostras de Luc Montagner, pois isso também já se sabe, assim como sabemos que este vírus nunca foi isolado num paciente doente (”Eu repito, nós não o isolamos”- Luc Montagner), e nem vou falar muito sobre o fato de que a AIDS nunca se comportou como uma epidemia contagiosa, e que a quase totalidade (90%) dos casos nos EUA é em homens, etc…
Toda a história da “criação” deste virus ocorreu à revelia da moderna ciência, como uma corrida contra o tempo na busca de um assassino, apenas para não olhar para as tripas da sociedade contemporânea que se envenena com drogas lícitas e ilícitas, ou para a vergonha da miséria africana, que sonega recursos e dignidade à maioria de seus habitantes. Mas… é claro que um anti-homeopatia - como o menino que escreveu tais artigos - jamais aceitaria que as tais drogas maravilhosas da Deusa Techné pudessem produzir algum mal…
“Criticar a crítica” é uma ferramenta de anestesia mental muito usada. Fui adolescente nos anos de chumbo, e essa era a tática utilizada. Os generais criticavam as reclamações para que ninguém questionasse o “ferrolho” sobre a sociedade. Diziam que o progresso era evidente, que o povo concordava, que os “dissidentes” eram poucos e desimportantes, que a tortura não existia e que criticar a “revolução” era uma prática perigosa pois o fantasma do comunismo estava muito perto, e a qualquer momento poderia se voltar contra todos nós. Esta é a estratégia do medo, usada pela oficialidade da AIDS Inc, e pelo presidente Bush (que coincidência!), ao decretar o “Patriotic Act”.
Qualquer semelhança entre as práticas dos poderosos para se manterem no topo com a retórica mística dos proponentes do HIV/AIDS não é mera coincidência.
Eu era um adolescente estudante de medicina quando em 1984 proibiu-se um filme chamado “Je Vous Salue Marie“, do diretor Jean Luc Goddard. A justificativa para tal proibição foi da mesma categotia usada para tentar bloquear a discussão sobre as origens da AIDS: esse filme pode prejudicar o juízo das pessoas sobre o dogma cristão. Na AIDS a história se repete, com outros elementos: “Se vc divulgar que a AIDS não é uma doença transmissível, as pessoas podem se descuidar e, por esta razão, parar de usar camisinhas. Nós temos a “verdade absoluta”, e ela nos diz que um vírus é o causador de todos estes males. Portanto, proiba-se a veiculaçào destas idéias, em nome da Deusa da Verdade Absoluta.”
Caríssimo Templário da Verdade…
Continue escrevendo sempre. Isso será muito bom para o teu amadurecimento. Vejo em vc a semente da verdadeira indignação, apesar de perceber seu comportamento como o um direitista místico, que apenas enxerga aquilo que é determinado pelo poder estabelecido. Espero que essa semente não se atrofie pelo sol do dogmatismo e do niilismo. Tenho esperanças de que sua postura de atacar o que teme e desconhece (como um religioso ataca o diabo) seja uma fase transitória em sua vida, e que o amadurecimento possa lhe conferir a coragem para a verdadeira luta: aquela contra suas próprias limitações e dificuldades. Atacar a homeopatia e a AIDS Alternative é tarefa para os menos capacitados; é fácil agredir alguém que nada contra a corrente (como era fácil bater em Hahnemann, em Freud, em Darwin, em Galileu, lembra?). Olhar para estes dois temas - AIDS Dissidents e Homeopatia, entre tantos outros - e encontrar ali alguma verdade, é tarefa para os capacitados e corajosos; é para aqueles afortunados cuja musculatura intelectual lhes permite correr no escuro e contra o vento, mas sempre em busca de luz.
Que as deusas da vida lhe ofereçam as oportunidades de descobrir seu caminho.
Ric Jones (AIDS Alternative Activist)
Mais uma vez aviso que quem desejar minha coleção particular de artigos sobre AIDS, pode solicitá-la que eu envio por e-mail. Ela já conta com mais de 300 páginas de autores diversos, como Celia Farber, Peter Duesberg, Eleni Papadopoulus, Kary Mullis etc., desmascarando a maior fraude da história da medicina. Basta me pedir através do e-mail rhjones@ig.com.br. Eu chamo essa minha humilde coletânea de o “Manual do Dissidente Junior“.
Capa da edição espanhola do meu livro “Crónicas de un Obstetra Humanista”.
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